{Café com autores} - Rafael Sales

Toda a semana tentamos trazer a vocês pelo menos um autor nacional, onde ele (ela) responde algumas perguntinhas feitas por nós, contando um pouco sobre o seu trabalho. 
Esta semana trouxemos Rafael Sales o autor da série Silhuetas na Penumbra, que já foi comentada por nós aqui no blog, então vamos conhecer um pouquinho de seu trabalho e obras, que em minha humilde opinião é fascinante !!




L&S: Quando perceberam que o seu destino era ser escritor?
RAFAEL: Na infância sempre tentei produzir arte, seja por meio das ilustrações, teatro ou até mesmo nas tentativas desastrosas de cantar em corais. Tenho uma verdadeira paixão pelas coisas que se escondem do lado onírico e fascinado por aqueles que conseguem transpor tais coisas para o plano físico, e é claro, sonhava em ser uma dessas pessoas.
Construí diversos roteiros para HQs e depois descobri os jogos de RPG e vi grandes possibilidades criativas com isso. Desenvolvi mundos ficcionais, personagens e cenários para campanhas duradouras e enredos baseados nos universos dos jogos que elaborei em conjunto com meus amigos da época. Acredito que aí começou a surgir o “escritor Rafael Sales”. Não demorou e meu primeiro projeto de livro tomou forma na minha cabeça, ganhou alguns cadernos e migrou para o computador e, então, me vi completamente imerso no mundo das letras e da fantasia.
L&S: De onde vem os personagens? De alguma forma se relacionam com alguém que conhece?
RAFAEL: Para um escritor, acredito, tudo é inspiração e não seria diferente com as pessoas com quem convivemos ou encontramos na rua. Características físicas, personalidades, trejeitos, tudo isto deve ficar esperando em algum canto do meu subconsciente esperando o momento certo para vir à luz.
L&S: Qual o seu livro e autor favorito? Guiam-se por eles na escrita de seus livros?
RAFAEL: Me lembro do primeiro livro de autor nacional contemporâneo que peguei e devorei. “Sementes no Gelo” do André Vianco foi a porta de entrada para a literatura fantástica e desde então tenho ele como “meta” a ser atingido. Seja pela inteligência, dedicação ou persistência em fazer o seu sonho dar certo. E deu muito certo para ele.
L&S: Enquanto está escrevendo, partilha a história com alguém para pedir conselhos?
RAFAEL: Compartilhar sua história com outras pessoas é vital para um escritor, sem os famosos (e muito necessários) betas, é arrisco demais colocar no mundo alguma criação. Há aproximadamente um ano e meio, meus escritos passam pelo crivo de uma pessoa em especial. Sem a aprovação dele, e de alguns outros leitores, eu não dou como encerrado o capitulo, conto, passagem do que estou trabalhando.
L&S: Quanto tempo demorou a escrever seu livro?
RAFAEL: A primeira versão do livro fechado da série “Silhuetas na Penumbra” foi escrito em três meses, porém, já fazem quase sete anos que amplio o universo criado na série e acrescento elementos que antes, com a minha pouca idade e conhecimento, não era capaz.

L&S: Qual é a história dos seus livros?
RAFAEL: A série “Silhuetas na Penumbra” é composto por oito contos, um volume bônus e um livro, basicamente é a história de uma garota que foi amaldiçoada no momento que nasceu e será caçada por demônios e anjos (retratados na série como Celestes). No meio dessa caçada, estão os Renegados, um grupo de criaturas Híbridas que não pertencem a nenhum dos dois lados da balança. Os contos, por sua vez, contam o passado de cada um dos Renegados, assim como sua origem e sua busca pelo paradeiro de Elisa. Já no volume bônus (Ritos da Criação), é narrado como se deu a criação de todas as coisas e o estopim da guerra entre as forças do Caos e da Ordem. Tudo isso, misturado a lendas e crenças nativas.
L&S: Como surgiu a ideia de produzir o livro?
RAFAEL: A primeira versão do livro, chamado apenas “Penumbra”, surgiu após muitas noites de RPG. Foi uma das campanhas de maior duração. Eu peguei o cenário e misturei a um sonho doido que tive. Após um período longo de pausa, retomei a série com outros planos para ela, incluindo aí enredos inspirados nas lendas e crenças indígenas adaptadas em prol da narrativa.
L&S: Algum personagem tem um pouco mais da sua personalidade? Qual?
RAFAEL: Posso ser um pouco leviano com esta resposta, mas quis que os personagens da série fossem completamente diferentes de mim. Aí está a graça de criar mundos, personagens, histórias.
L&S: Você sempre foi escritor? Como surgiu a vontade de escrever profissionalmente?
RAFAEL: Escrever profissionalmente é um horizonte a se atingir. Por enquanto vivo de outros ofícios e tento, em meio ao cotidiano conturbado, um tempo para me dedicar ao segundo turno de trabalho (este, não remunerado).
 L&S: Qual foi a maior dificuldade encontrada ao escrever os livros?
RAFAEL: Me desprender de pré-conceitos que eu tinha sobre folclore, mitos e lendas nativas. Eu acreditava que não era possível uma história de fantasia se passar com elementos e locais brasileiros. Achava que “não combinava”, mas conheci autores e obras que esfregaram na minha cara que eu estava completamente errado.
L&S: Quais dicas você dá para quem quer iniciar a carreira de escritor?
RAFAEL: Leia, leia muito, leia de tudo (ou quase tudo), e pratique, coloque uma meta diária, busque por aperfeiçoamento sempre, seja em cursos de escrita criativa, livros, podcast, portais, sempre busque melhorar. Assim como em qualquer profissão, escrever pode ser um talento, mas nasce com você de forma bruta, sem aperfeiçoamento será apenas alguém com talento sem saber como usar tal ferramenta. Aprenda a filtrar comentários negativos e positivos e sempre tire lições de ambos.
 L&S: Quais são os amores e as dores dessa profissão?

RAFAEL: É um trabalho de formiguinha, aí pode estar “as dores” da profissão, você precisa ter paciência para tudo, (para uma ideia germinar na sua cabeça, para receber uma resposta de uma editora, para ganhar leitores), tudo gira em torno do tempo. O lado bom de produzir fantasia e que você acaba vivendo nela, sempre tem um local para se refugiar e ainda existe a mágica de quando um leitor se conecta com sua história, com seus personagens, permite que você viva no seu imaginário, isto supera qualquer frustração encontrada durante a jornada.



Rafael Sales disse...

Muito obrigado pelo espaço e pela oportunidade de me apresentar aos seus leitores, Joyce.
Grande abraço!

Joyce Almeida disse...

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